Relatório Sea & Air Shipper Insight, do Drewry Maritime Institute, aponta para diferenças cada vez maiores entre tarifas dos segmentos aéreo e marítimo

Redação

Ao embarcar, cuidado com o vão: a diferença de preço entre as tarifas aéreas e marítimas fica ainda maior. A queda dramática dos preços praticados pelo transporte marítimo serviu para aumentar ainda mais a discrepância de preços que o segmento apresenta em comparação com o serviço aéreo.
Conforme relatórios espalhados em toda a comunidade dos transportes, os preços dos fretes marítimos vêm despencando emu ma espiral negative. Para enfatizar ainda mais a dimensão dessas quedas, a tarifa média do serviço em contêiner, na rota reversa entre a Europa e a Ásia, na qual os navios viajam a cerca de dois terços de sua capacidade, estavam mais altas do que o antes tão requisitado serviço de ida, da Ásia para a Europa.

É a primeira vez que isso acontece, desde 2011. Apesar das tendências ligeiramente equivalentes na demanda pelo mercado aéreo, as tarifas do segmento conseguiram se manter em muito melhor forma do que as marítimas, de acordo com o índice de preços de tarifas aéreas divulgado pelo Drewry Maritime Institute.

Com o setor marítimo tomando a direção oposta ao do aéreo, a diferença entre os dois modais atingiu o seu recorde. O índice multiplicador utilizado pelo Drewry sobre os preços de tarifas aéreas na rota leste-oeste subiu 2,9 pontos em outubro, atingindo x22,3, contra os regulares x11. O multiplicador utilizado pelo instituto de pesquisas indexa os dois modais, convertendo as tarifas em quilogramas para obter equivalência. Quanto mais tempo o multiplicador permanecer acima da média tradicional, maiores as chances de haver uma revisão na escolha pelos modais utilizados por certas commodities, do aéreo para o marítimo.

A migração para o frete marítimo, significativamente mais barato, ganhou momentum nos últimos anos, quando as companhias de navegação desenvolveram sistemas mais sofisticados de TI, estratégias de controle de estoque e melhores taxas de confiabilidade nos serviços de contêineres.

As tarifas aéreas de fato sofreram aumento com a alta da demanda causada pelos picos de fim de ano, que impulsionam a demanda em curto prazo. Ainda assim, no entanto, não há muitos indícios de que os preços do aéreo cheguem a atingir as altas do ano passado, primeiro por causa da estagnação no crescimento dos mercados e segundo pela constante expansão da frota de passageiros, que mantém uma pressão sobre as tarifas. Além disso, a expectativa é de que os valores ainda cedam um pouco depois do período de fim de ano.
Enquanto isso, o mercado marítimo ainda deve enfrentar mais enfraquecimento, o que vai servir para manter o índice comparativo nos mesmos parâmetros.

O relatório Sea & Air Shipper Insight é publicado mensalmente por Drewry Maritime Research.

Fonte: Guia Marítimo